O rompimento de duas barragens de uma mineradora liberou uma enxurrada de lama que causou grande destruição em um distrito de Mariana, em Minas Gerais, deixando ao menos quatro mortos.
As barragens de Fundão e Santarém, da Samarco, estão localizadas entre Mariana e Ouro Preto e se romperam na tarde da última quinta-feira, liberando uma onda de lama que teria chegado a 2,5 m de altura.
Moradores relataram um cenário de devastação no distrito de Bento Rodrigues, o mais atingido, a cerca de 2 km de onde ocorreu o rompimento. Ainda há 22 pessoas desaparecidas e 631 estão desabrigadas. Ao menos quatro pessoas morreram.
Nesta terça-feira, um novo tremor de magnitude 2,1 foi registrado na região, segundo o Instituto de Sismologia da USP, mas isso não causou novos danos às barragens. Sismógrafos serão instalados para monitorar este tipo de evento.
A lama pode ser tóxica?
Sabe-se que as barragens continham água e rejeitos empregados na mineração, que podem conter altos níveis de alumínio, ferro, manganês, entre outros elementos. Técnicos estão fazendo análises para checar se há possibilidade de contaminação.
No entanto, a maioria deste material é considerada de baixo potencial poluidor, segundo artigo da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.
Especialistas foram enviados à área para avaliar o material. Nesta terça-feira, a Polícia Ambiental do Estado deverá fazer um sobrevoo para avaliar os prejuízos ao meio ambiente local.
Há risco de novos rompimentos?
O Corpo de Bombeiros está monitorando uma terceira barragem para verificar o risco de rompimento.
Não é a primeira vez que barragens se rompem em Minas Gerais. Em 2014, um acidente em Itabirito, a cerca de 60 km de Belo Horizonte, deixou três trabalhadores mortos.
Quantas pessoas podem ter sido afetadas?
A onda de lama criada pelo rompimento das barragens também já avançou quase 500 km pelo leito do rio Doce em direção ao Espírito Santo, segundo o Serviço Geológico do Brasil. Espera-se que a enxurrada de detritos atinja uma área de 10 mil quilômetros quadrados no litoral do Estado e impacte três áreas de conservação marinha.
Por que informações de vítimas são conflitantes?
A incerteza se deve em parte ao acesso restrito ao distrito de Bento Rodrigues, realizado apenas por helicóptero. Imagens aéreas de TV mostraram casas completamente destruídas e soterradas por lama.
Segundo a Prefeitura, 22 pessoas - 11 funcionários e 11 moradores - ainda estão desaparecidas. Bombeiros e a Defesa Civil continuam as buscas com ajuda de equipes de resgate especializadas, inclusive de outros Estados, como o Espírito Santo e Santa Catarina.
População luta por Água!
Vejam esta multidão completamente sedenta, necessitada de recursos, tomando um caminhão pipa a força para conseguirem sobreviver!
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